Estar vivo é só continuar esperando pra se decepcionar. Você acredita, confia, se importa e tudo isso pra quê? Só pra ver que o sentimento não é reciproco. Que não há, de fato, reciprocidade no mundo.
Você está lá, mas depois que o sol se põe, descobre que era só a sombra. E não mais existe na escuridão. Ou melhor, existe; o mundo lhe passa em flashes cada vez que alguma fonte de luz se aproxima.
Não há reciprocidade porque não há vida. A vida segue na luz, onde todos são bonecos de cera em processo de derretimento. Nas sombras tudo é claro, claro e vazio.
Você aprende a amá-la. E quado a luz se aproxima, com o bonecos de cera derretidos, não mais enxerga vida neles. Você já não enxerga.
"Está tudo bem. Você está sozinho agora."
A solidão é o conforto certeiro. O desejo pelo vazio cresce, e a luz passa a ser desprezada.
Desprezo leva a confusão, confusão leva a desespero. E em meio ao breu, uma fenda abre-se e você... você cai.
Como um grande penhasco negro e sem vida, mas com paredes onde se possa ricochetear ocasionalmente. Você só cai. Eternamente. E o tempo deixa de existir, e as direções não mais importam. Até onde se sabe, você pode muito bem estar ascendendo aos céus. Nada mais importa. Mas em meio a tudo isso, o desespero sussurra em seu ouvido: "Está tudo bem. Você está sozinho agora".
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
by
luana
às
21:29