domingo, 22 de julho de 2012

0040


o nada precede o ardor urbano
adentra-se o manto de isolamento;
cúpula invisivel que separa os dois mundos

a serenidade envolve o ar
problemas, dores e duvidas não mais existem.
a vida de outrora passa a ser uma lembrança distante
o tempo escorre, oscilando aqui e ali

e eis que surge
o rei dos céus
uma língua de fogo lambe a noite;
e tudo que foi, não mais o é

não há vida
só há fogo
nao há nada
só há fogo

a vida dissipa-se em meio ao relento
tranquilidade emana das esquinas
e o mundo gira de tal forma que nada mais importa

quase como conformar-se com a morte
ou com a vida;
quase como nao existir
nao ser
assim, agradável.

e quando tenta-se relembrar de outras vidas
perde-se um pouco da própria.
nada mais importa;
só há fogo.