então, aparentemente irei lutar pelo jornalismo mesmo.
e como se valesse a pena, eu aperto cada vez mais a corda em meu pescoço.
passar uma vida inteira esperando pelo empurrão que vai me tirar de cima dessa cadeira e me suspender por completo no ar. esperando ser engolida pelas trevas.
vai ver esperar não é tão ruim assim. depois de um tempo a cadeira se torna sua melhor amiga, e vocês conversam e vivem muitas coisas juntas. mas isso também não faz a vida nesse quartinho de hotel de quinta ser melhor.
ouço o ruído da vida depois das paredes que me cercam, o cheiro de animais que se julgam superiores. cheiro de podridão; cheiro de morte.
sinto-me com o dobro da idade que verdadeiramente tenho. como se cada ano que vivi, nesse miserável cômodo, tenha pesado o dobro.
assim, cada minuto passa como dias, e cada hora como meses.
como um roedor sem orgulho eu me alimento de restos que pertencem a outros. não sei muito bem como, mas as migalhas entram pelas fendas do recinto, caindo e se multiplicando no chão frio que as acolhe.
e tem aquele homem, que durante meu sono invade o quarto para martelar pregos na minha cabeça. e até mesmo quando estou acordada posso senti-lo aqui, batendo e batendo seu martelo pesado nos afiados pregos que aos poucos perfuram o meu crânio.
mas enfim, isso tudo são só coisas da minha imaginação visceral.
- eu não existo.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
um passo para a escuridão fantasiosa do desespero
by
luana
às
18:53