quarta-feira, 24 de março de 2010

pessoal

{Acho que é importante eu tentar descrever o que está acontecendo, futuramente isso pode ser essencial pra nada.}

já faz algum tempo que notei que a minha percepção das coisas anda... diferente.
já não consigo mais diferenciar com certeza o irreal do real.
os sonhos se tornaram realidade, a realidade se tornou sonho.
não sei mais se fiz uma coisa ou se apenas pensei ter feito. não sei se disse ou me imaginei dizendo.
delay. - e tudo se repete.
abro os olhos e estou em um lugar diferente.
me pego falando coisas que não saem da minha boca. com pessoas que surgem e somem.
me pego perdida, sem saber como cheguei, como fui, ou onde estou.
meu cerebro pula de cena em cena, como se estivesse acessando um menu de dvd.
me desconcentro. ou nunca me concentro. acho que isso não é mais capaz.
distração, ou nenhuma atração.
cores, padrões, placas, rostos, folhas, nada.
não há mais... mais... nada.
esqueço onde estou, porque estou, com quem estou.
esqueço quem sou.
sinto medo. mas logo esqueço.
sinto falta, mas não lembro de que.
sinto um vazio... de coisas que estão evanescendo.
tento, me esforço, ouvindo e vendo coisas que me fazem lembrar, me puxar de volta... mas já não sei se isso funciona. obviamente não sei se tenho lembrado de tudo... alguma coisa me diz que não...
sinto essa constante sensação incômoda de que alguma coisa está faltando. de que alguma coisa não está certa.
sinto dor. dor que cada dia fica mais intensa, parece ganhar mais profundidade e intensidade a cada minuto. constante.
aquelas sensações... aquelas que anteriormente me causaram tanto medo e desespero. dessa vez voltam por motivos diferentes, motivos que desconheço.
risadas constantes, papeação solitária, suor, calafrios, tremedeiras.
medo.
não me sinto bem.
além de tudo isso, uma ideia não sai da minha cabeça: eu fugi.
mas acho que nunca vou saber direito do que.
não tenho mais vontades. mas isso já é de outros verões.
sinto falta de alguns hábitos ruins. coisa que provavelmente voltarei a fazer assim que tomar iniciativa.
me sinto apática. mas isso... isso sim é de outros verões. acho que de todos os verões. sempre fingi bem. ou sempre achei que fingia bem. mas de qualquer jeito nunca foi muito intencional também.
acho que talvez a pior coisa seja imaginar que eu poderia ser puxada desse estado, mas como estou aqui... ninguém pode me puxar.
mas isso também é só imaginação.
os remédios estão acabando. pulei de uns pra outros e de outros pra uns... mas estão acabando. e eu não me sinto bem.

algumas coisas ainda me lembram algumas coisas.
'Cause I’m proud of my life and the things that I have done
Proud of myself and the loner I’ve become

...


mas isso não é verdade. -vácuo cerebral.