
O vento frio e cortante da noite ricocheteia seu rosto enquanto os pingos da chuva riscam sua face pouco a pouco. O mesmo vento friamente congelado que vai passando pelo seu rosto/cabelo cortando de leve a pele. A chuva, fraca, riscando a face como se brincasse com a sensibilidade da sua pele. E você fica ali, de olhos fechados contemplando tal sensação de pura beleza. Exasperado, estuporado, em uma inércia de emoções consideravelmente perfeitas. Já de olhos abertos se da conta de que está envolto por uma neblina. Uma neblina tão densa que não se vê nada além de luzes ao horizonte no mar. Uma sensação de liberdade percorre suas veias, aquecendo seu sangue já congelado pelo ambiente. E nesse momento você experimenta o mais perfeito orgasmo de sensações e sentimentos que, a um ser humano, poderia ser proporcionado.
Foi assim que me senti naquele dia.
Aquele simples dia de verão, que contornou completamente tudo que eu costumava crer.
Como uma coisa tão naturalmente simples pode proporcionar tal sensação eu não sei.
Era como se, não existissem problemas.
Como se não existisse mais nada.
Essa sensação eu assimilo a Neverland, a terra dos sonhos. A terra onde somente crianças, de alma pura, criativas por sua natureza infantil, podem ir. Um lugar no qual eu realmente acredito que exista, e todos os dias almejo visitar.
Seria bom, poder ir a um lugar onde não existem problemas, onde o sonho se torna realidade, onde todos os seus desejos são realizados; onde tudo é mágico e a maldade não existe.
Queria poder brincar o dia inteiro sem me preocupar com nada.
Queria ser criança.
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
by
luana
às
23:30